quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Contido - frente e verso

Tua boca, por exemplo.
O singelo morder de lábios.
A forma delicada com que canta ao pé do ouvido.
Corrompe, perverte minhas vontades.
Pouco sabe...
Tuas mãos esquadrinham meus quadris.
O toque, forte, reconhece cada parte tua em mim.
vento bate, leva essa saudade...
fica teu cheiro, assim...
Não vejo o tempo passar.
Ali, lendo teu olhar.
Pedindo pra você ficar...
e volte sempre
que eu adoro essa falta de roteiro...
e esse descontrole súbito que se instala em mim, quando você chega mais perto...
e o jeito particular que a gente se curte, se encaixa e improvisa nossos beijos...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Surpresa...

Eu encarava surpresa de forma preconceituosa, confesso.
Acreditava que surpresa era sempre um susto ruim.
Que surpresa estragava todo meu roteito perfeito.
Todo meu ensaio de ser.
Surpresa era improviso na minha vida planejada.
Hoje, só hoje, vejo que é necessidade latente.
Que surpresa foi você chegar pra me acalmar, quando eu não queria mais ninguém.
E que surpresa boa!
E ela foi generosa ao chegar no momento propício...
E se casou com o meu destino, escolhendo você como a pessoa certa pra mim.
E eu como aprendiz, e ser feliz.
Surpresa é doce como delícia de amar e ser amado!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Uma barba corrompe...

"Não se conhece bem um homem que nunca deixou a barba crescer. Digo isto sem preconceitos, porque não mais pertenço a confraria dos barbados. Mas estou convencido de que se conhece mal um homem que nunca deixou irromper na floresta de seu rosto, o outro, o selvagem, o agente adormecido, o hirsuto...
Há mulheres que, tendo conhecido a sabedoria erótica da barba nos lençois do dia, nunca mais se contentarão com a banalidade barbeada de outros amores...
Indizível prazer é esse de confiar na barba. Inconsciente.
Ritualisticamente. Enquanto se lê, enquanto se aguarda o outro dizer uma frase estúrdia, euquanto se toma um vinho ou se afaga um cão junto a lareira, e fechando, bem dizia Walmor Chagas outra noite num jantar quando se discutia a metafísica da barba: a barba é uma máscara como no teatro; é outro em nós, um modo de o personagem se experimentar em cena."

Trecho extraído do livro Que presente te dar de Affonso Romano de Sant'anna.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Há quem justifique os próprios atos.
Há quem no fim do dia deseje estar sozinho.
A quem entreguei meu amor, enche meu peito de querer.
De respiração ofegante, de paz, horizonte.
Não sou mais dono de mim.
Não mais absorto com o resto do mundo.
Por não enxergar mais ninguém além do amor.
Por não enxergar mais ninguém além de ti.

domingo, 24 de julho de 2011

"Tomorrow I'll miss you"

Eu lamento te perder de vista, sweetie.
Lamento que você desconheça a delícia de viver.
Me entristeço ao vê-la afogando-se em mágoas, desamores e álcool.
[...] E você caminha pra longe, sem saída, sem que eu possa fazer nada.
Eu gostaria de desafiar toda obviedade do fim trágico.
No entanto, você questionou a vida com loucuras, rock in roll, com desconfiança.
Gritastes as angustias e dores com uma voz genuína, digna.
Eu posso ouvir cada murmúrio, eu posso sentir a tua voz rouca tocando as folhas.
E choro. Choro minhas inspirações...
como fonte inacabada de amor, que transborda de gosto teu.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Janela Secreta - "Confuse!"

Ela achou a minha janela secreta.
Ah, desculpa. Eu sou Mort Rainey, muito prazer.
Continuando...
Ela achou a minha janela secreta.
O meu jardim secreto. Onde, de agora em diante eu guardarei todos os meus mais sórdidos segredos e rancores.
Me provoca usando o meu roupão velho e rasgado.
Ela roubou todo o meu amor. Só me deixou vícios, insonia, raiva.
E o pobre Chico, nosso cachorro cego.
Enlouquecendo, adormecendo enquanto a hora passa, e ela vive feliz sua nova história de amor.
Queria matá-la. Ela e esse maldito desgraçado.
Como se não bastasse o meu divórcio. A minha história foi roubada, a minha janela secreta, estou sendo acusado de roubar a minha história.
Esse bicho grilo tem me atormentado. Ora ele, ora a Amy.
Estou enlouquecendo? não, não estou. Eles estão.
Eu quero mais é comer doritos, e fumar. Eu quero mais é fumar, vou fumar até fazer bico!
Só preciso provar que a minha história é minha, e depois tirar um cochilo... um cochilo...


(Horas depois...)
Mas que droga é essa? o desgraçado rouba minha história e mata o meu cachorro!
Vai me pagar por isso!
Eu tinha tudo em perfeito equilíbrio. Uma linda casa, um cachorro cego (quase tudo perfeito!), uma mulher encantadora, e um livro com a minha história. E agora? o que me sobrou?
Essa não é a minha bela casa, essa não é a minha bela mulher. Não mais.
Matei um espelho. E a porta do box.

Ele matou o dedetive, ele colocou fogo na minha bela casa, ele matou os amigos da vizinhança.
Estou pálido, obrigado!
Estou confuso. O quê?


(Você ignorou meia dúzia de detalhes... )
Isso não faz sentido.
(Ligue para a polícia, confesse tudo, antes que você mate mais alguem...)
Eu não matei ninguém, me deixe sozinho.
(Você está sozinho...)
Casa revirada, meus escritos jogados no chão e a desgraçada da Amy chamando por mim.
Eu estou aqui, Amy. Eu sou um fazendeiro do Mississipi e você não deveria estar aqui. Perdi a cabeça, tomei uma garrafa de whisky e sou um homem traído. Você entende o que eu quero dizer?
(Atira nela... atira nela)
Ligou para o número errado, dona. Não há nenhum Mort aqui. Ele se matou.
Nada disso foi idéia minha, dona. Foi idéia de Mort Rainey.
(Socorrooo! Você é Mort Rainey...)
"Garanto que com o tempo a morte dela será um mistério, até para mim".

Foto: John - Filme Janela Secreta

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Amor e Afago.

Depois da dor, o medo.
Depois do sofrer, as armaduras.
Aspereza, rigidez.
Calor sentimental escasso. E quase ninguém pra te acalmar o coração.
Eis que os encontros da vida nos põe entre vírgulas, com tantas boas surpresas.
E o amor me provoca, controla meus atos, me ama.
Minha imperiosa vontade de amar, faz de ti meu rei, meu lar.
Eu me rendo, sem rimar. Quero permanecer amando o meu amor e só.